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Fiel é esta Palavra: Ele Permanece Fiel, Mesmo Quando Somos Infiéis (2Tim 2.11-13)

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Ilustração de Oséias e Gômer da Bible Historiale, de 1372.

 

Esta palavra é digna de confiança:
Se morremos com ele, com ele também viveremos;
se perseveramos, com ele também reinaremos.
Se o negamos, ele também nos negará;
se somos infiéis, ele permanece fiel,
pois não pode negar-se a si mesmo. (2Tm 2.11-13, NVI)

 

Fiel é a palavra: essa frase sem verbo (no grego), torna a afirmação ainda mais contundente e certeira. A palavra a seguir é fiel.

Pois se morremos junto [com ele], também viveremos junto [com ele]: No contexto Paulo está animando Timóteo a continuar firme em seu ministério. Paulo está preso e relembra Timóteo que essa vida deve ser vivida para Cristo, ministerialmente (em serviço). Por que? Porque nós já morremos com Cristo e teremos o privilégio de viver com ele. Se somos de Cristo, fomos unidos com Cristo em sua morte (Romanos 6.8; Colossenses 3.2-4) e temos garantia de que também seremos ressuscitados.

Se estamos perseverando (aguentando, esperando, suportando), também reinaremos junto [com ele]: Essa morte com Cristo tem um aspecto presente e processual. Uma morte que temos que morrer a cada dia: morrer para os nossos desejos pecaminosos, morrer para o nosso desejo de receber glória, morrer para o nosso desejo de conforto e de evitar dores (Colossenses 3.5). Timóteo e nós somos convocados pelo apóstolo: “Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2.3).

Se negarmos (recusarmos, desfazermos o nosso voto para com ele) [a ele], então aquele negará a nós: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lucas 9.26). Paulo já deixou claro que é certo que morremos com Cristo, o que garante a certeza da condição anterior. Para fins de argumento, entretanto, ele mostra o que aconteceria se negássemos a Cristo. O resultado não poderia ser pior. Se decidíssemos no futuro negar a Cristo de uma vez, seríamos negados por ele:

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia (Hebreus 6.4-6).

A bênção é que se essa palavra te toca de tal maneira que você se sente impelido de voltar a Cristo ou temeroso de ter cometido esse pecado de negá-lo, ainda dá tempo de retornar para ele e viver uma nova vida com o Senhor.

Se estivermos sendo infiéis, aquele fiel permanece, pois negar a si mesmo ele não pode (é capaz): Na linha anterior, Paulo apresentou o fundo do poço, ou seja, alguém que nega completamente a Cristo Jesus. Aqui, entretanto, Paulo mostra a realidade de cada cristão. Todos nós por vezes somos infiéis em nosso relacionamento com o Senhor. Pelo que parece a partir da carta, Timóteo estava sendo infiel, deixando-se desanimar e de cumprir seu ministério (serviço cristão). A palavra de Paulo nesse caso é acalentadora: Ainda que nós sejamos infiéis em nossas fraquezas, caiamos em pecado e falharmos para com o Senhor Jesus, ele continuará sendo fiel à aliança que fez conosco. Deus continuará sendo o nosso Pai adotivo cuidadoso e o Senhor Jesus continuará sendo o nosso noivo amoroso. E isso está baseado em seu caráter divino: ele não pode negar (mesma palavra que apareceu 2x no versículo anterior) a si mesmo. Ou seja, a nossa segurança em Cristo está baseada no caráter santo e fiel de Deus: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5).

Ele nos perdoa!
Ele nos restaura!
Ele continua nos usando!
Ele é fiel!
Aleluia!

 

Lembrete: qualquer pessoa que abusa voluntária e decididamente da graça de Deus está mais próxima de ter negado ao Senhor, do que de estar em um relacionamento verdadeiro com ele.

 

Comentários rápidos e introdutórios sobre o texto Grego

11 πιστὸς ὁ λόγος·: Uso predicativo do adjetivo, pressupõe a presença de um verbo de ligação. Como o adjetivo aparece primeiro, a ênfase está nele.

εἰ γὰρ συναπεθάνομεν, καὶ συζήσομεν·: Condição de 1a classe (ei + aoristo na prótase e futuro na apódase), que pressupõe veracidade da prótase (primeira linha da condição). Seria possível traduzir interpretativamente: Já que morremos junto [com ele], [certamente] viveremos junto [com ele]. O uso do aoristo (morremos) mostra que Paulo está falando sobre a nossa morte com Cristo como um evento completo.

12 εἰ ὑπομένομεν, καὶ συμβασιλεύσομεν·: Aqui temos uma clássica condição de 1a Classe (ei + pres ind). O uso do presente no primeiro verbo (ὑπομένομεν) aponta para o fato de que, para Paulo, diferente do “morrer com Cristo” (visto como evento completo), a perseverança é vista como um processo.

εἰ ἀρνησόμεθα, κἀκεῖνος ἀρνήσεται ἡμᾶς·: (ei + fut do ind): Condição de 1a classe, mas não funciona como tal, estando mais para uma condição de 4 classe, realmente deixando em aberto a possibilidade da prótase. Aqui a atual estrutura de compreensão das condições do grego koinê enfrenta um problema.

13 εἰ ἀπιστοῦμεν, ἐκεῖνος πιστὸς μένει, ἀρνήσασθαι γὰρ ἑαυτὸν οὐ δύναται.: Também uma condição de 1a classe, pressupondo a realidade da prótase. A apódase utiliza o forte verbo μένω (BDAG: remain, stay,; remain, last, persist, continue to live,; wait for, await) para deixar bem sólido o fato de que ele continua fiel mesmo quando nós falhamos nesse quesito. Sendo a única condição dessa lista acrescida de uma razão especial e considerando a força da razão, fica evidente que Paulo está enfatizando essa última condição.

 

 

Criado por
João Paulo Thomaz de Aquino
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